terça-feira, 23 de setembro de 2014

O último baile - Short Fic


Emily acorda pela manhã desejando que não fosse segunda feira, que ela não precisasse vestir o uniforme composto por uma blusa branca social, um casaquinho preto e aquela saia. Ah, como ela odiava aquela saia. Para começar ela odiava suas pernas. Sua mãe amava suas pernas, costumava dizer que quando era mais jovem suas pernas eram quase iguais.

Ajeitou a sua gravata na blusa e colocou o casaco por cima. Arrumou seu cabelo com a tiara da mesma cor que a gravata e a saia, e ajeitou suas botas cano longo. Emily achava horrível ter que usar uniforme, mas a ética da escola exige.

O lado bom da escola era ficar próximo ao seu grupinho de amigos. Pegou o seu carro, antigo carro do seu pai, e dirigiu para a escola. O tempo chuvoso de Londres impediu que ela passasse na cafeteria para pegar o seu café com três gotas de chocolate pingado. Estacionou seu carro ao lado do Audi de Caroline, sua colega de história e inglês, e com a sua pasta adentrou os corredores da Oxford St Clare's.

-Cheery! - James a viu de longe e correu para abraçar a melhor amiga.

-Quanta animação para um dia de semana, uma semana de provas. - Ela gira os olhos fazendo com que o amigo broche toda a felicidade que estava.

-Amo o seu humor. - Liss ri debochadamente enquanto levanta seu olhar do fichário em sua mão.

-Bom dia. - Kentin chega de mansinho no grupinho que antes estava com três pessoas. Ele dá um breve selinho em James que comemora a chegada do seu namorado. Do outro lado do corredor, escorado nos armários, Harry tapasse de nojo quanto ao casal homossexual. - Em, Liss. - Ken faz um sinal com a cabeça e sorri particularmente e disfarçadamente para Emily.

-Eu odeio Londres, eu odeio St Clare's! - Becky esborrifava insatisfação até pelo nariz quando chega balançando seus cabelos longos e loiros, sem a tiara, que não é uso obrigatório da escola.

-Pra que tanto ódio? Eu que costumo ocupar essa parte. - Emily a relembrou e a fez sorrir, talvez a primeira vez que ela tenha sorrido.

-Vim de bonde para a escola, simplesmente porque meus pais esconderam a chave do meu carro. E para completar essa chuva está desgraçando com tudo. - Ela bufa insistentemente e James a observa.

-Fique tranquila, é nosso último ano aqui!

-Isso me lembra que é nosso último ano juntos... Vamos nos separar, todos nós. - Emily sempre via um pouco de pessimismo em tudo que falavam para ela. Suas visões são diferentes, ela acha que deve pensar sempre no que pode acontecer de ruim, para depois, caso houver queda, que não seja tão alta.

-Não fale isso. - James faz um beicinho engraçado.

-Eu vou para Juilliard, tenho quase certeza. - Dispara Liss. - Eles irão se encantar pela minha apresentação no inicio do semestre, estou praticando à tempos.

-Você vai conseguir. - O otimismo de Emily contribuí um pouquinho. - Eu quero Princeton ou Yale. - Diz convicta.

-Coincidência, eu também quero um dos dois, ou Harvard. - Kentin sorri para ela, que sorri de volta sem saber muito o que fazer.

O comportamento de Kentin está estranho ultimamente. Emily pensou que fosse  coisa da sua cabeça, mas desde aquela aula de química na qual o professor colocou-os de pares no laboratório, as coisas ficaram realmente diferentes. Ken apresenta sorrisos para ela, muitas vezes bem maliciosos, ela pensou que fosse bobagem, afinal, ele é gay, ele não gosta de garotas. Mas a cada dia que passa, ele a assusta cada vez mais.

-Tão inteligente. - James contempla seu namorado com os olhos brilhantes, no qual correspondeu apenas com um sorriso "meia boca", popularmente falando.

-Não comecem, estou numa fase pós namoro recente, está difícil. - Becky tapa o rosto com as mãos.

Becky é uma menina linda e loira, claro que não faz parte das cheerleaders do St Clare porque não sabe dançar muito bem, mas teria tudo para ser uma cheerleader magnífica. Nenhum deles é popular, nenhum deles faz ou fez algo tão importante para a escola. Liss participa do grupo musical da escola, James fazia o xadrez, mas depois que conheceu Kentin, saiu do grupo. Becky fazia parte de um grupo de coral, mas infelizmente eles perderam pessoas que perderam a vontade de estar lá cantando, e com quatro pessoas e ela, não se fazia um clube de coral. Já Emily fez parte do clube de matemática, não deu certo, ela era boa, mas odiava mexer com números a todo o tempo. Passou para o grupo de apoio estudantil, saiu rapidamente quando descobriu que passaria todos os sábados trancada na escola com pessoas que precisam de aulas extras. Se inscreveu para o grupo de natação, mas a treinadora Carly a dispensou, Em sabe que não foi dispensada porque era ruim, ou por algum outro motivo, ela sabia que era pelo episódio de dois anos atrás, quando em uma pequena guerra de comida se fez no refeitório e ela acertou um pedaço de sua maça na cabeça da treinadora Carly.

Por fim tentou o último clube: pintura! É claro que não deu certo, Em não tinha coordenação suficiente para pintar as telas bonitas como seus breves colegas de curso. Então, se encaixou no último e no qual permanece. O clube de fotografia, e passa a suas tardes - que não tem aula - no jornal da escola, editando fotos para colocar, escutando fofocas da redação e rindo com algumas pessoas que estão lá dentro também.

O sinal da escola toca, todos os alunos começam a procurar as suas salas, Emily pega seu papel para confirmar a sua primeira aula. Inglês. Perfeito, aula com o James. Se encostou no armário e esperou o beijo dos dois acabarem.

-Boa aula, te vejo no intervalo. - James atira um beijo para Kentin que dá um sorriso bobo, e quando, discretamente, Emily olha pra trás, Kentin abre o sorriso. Ele sabia que ela iria olhar, ele sabia que ela estava sacando o que ele queria realmente.

Ela sabia que ele sacava tudo isso, mas ainda não entendera o porque disso.

Na aula de inglês, Mr Collins tomava algo em sua garrafinha, algo que Emily e a maioria da turma desconfiam que seja somente café preto. Ele falava, escrevia na lousa e bebia, assim sucessivamente. A aula estava entediante, até ele anunciar o trabalho do próximo semestre.

-A outra turma irá se unir com essa. - Ele diz e a turma se algazarra. Metade concordando e metade não. James já ficou inquieto antes mesmo de saber o resto. - Vocês iram formar duplas. Hey pessoal, preciso terminar ou irei desistir desse trabalho! - A classe silencio-se, e assim ele deu continuidade a fala. - Como ia falando anteriormente, formaram duplas a minha escolha. E cada dupla terá que montar uma aula diferente para a turma, como professores mesmo. Com atividades e tudo mais. - Mr Collins achou realmente boa a ideia, mas a turma se calou assim que ouviu que ele escolheria as duplas.

-Com licença, Mr Collins. - Carl, um dos jogadores do time de beisebol, levanta a mão. - Porque não podemos escolher nossas duplas? - A classe volta a falar e a concordar com a pergunta dele.

Mr Collins bate com a mão na lousa e vira-se de frente para a classe novamente, que faz silêncio.

-Porque, se eu permitir isso, será panelinhas, e sei que vocês tem amigos e namorados na outra classe, aí ninguém fará o trabalho. - Ele explicasse e não se dando por contente, completa. - Do meu trabalho, eu sei, Sr Carl.

A aula continuou normal, até a troca de salas, o segundo horário ainda seria de inglês, mas a outra classe iria entrar para a deles para darem inicio ao trabalho e montar as duplas. James estava triste porque sabia que o Mr Collins não iria coloca-lo junto ao seu namorado, e Emily estava desejando profundamente que ele a colocasse com Liss.

A classe juntou-se com a outra. A mesa de James e Emily pareceu ficar pequena para o grupinho deles. A conversa estava paralela enquanto o professor ajeitava as possíveis duplas. Ora ou outra algum engraçadinho tentava dar alguma espiada nas coisas do professor, mas ninguém conseguiu.

-Qualquer um para mim está bom, desde que não seja o Harry. - James faz cara de nojo.

-Imagina, Mr Collins não iria querer provocar uma guerra por aqui. Um homossexual com um machista. - Becky rola os olhos e respira fundo. - Eu poderia fazer par com o Harry, ele é lindo.

-Verdade. - Emily comenta enquanto fecha seu caderno onde antes estava rabiscando coisas sem nexo. Kentin lança um olhar misterioso para ela, que faz-a arrepiar dos pés a cabeça. Emily disfarça com uma coçada no cabelo e jogando um olhar pela janela, para a rua chuvosa e o pátio da St Clare's vazio.

-Classe, atenção. - O professor pede e assim todos respeitam, aos poucos. - Já montei minha relação de duplas. Na próxima aula anunciarei as datas das apresentações.

-Alunos e alunas da escola Oxford St Clare's. - A diretora, com a voz esguiniçada, fala através das caixas de som. Todos passamos a encarar a caixa. - As inscrições para rei e rainha do baile foram abertas. Lembrando que só alunos do último ano podem se inscrever. E o tema desse ano, que estava entre "Noite em Paris", "Cinema", e "Cassino - Las Vegas", foi: Cassino - Las Vegas! Obrigada pela atenção, podem retornarem a suas tarefas, e as inscrições serão efetuadas na biblioteca da escola.

Foi um tumulto, a maioria da escola havia escolhido esse tema mesmo, todos estavam eufóricos, e agora começará oficialmente a corrida para vestidos, roupas, inscrições, e o principal: um par para o baile. Emily estava feliz, mas sua preocupação começou. Ela não tinha nada para o baile, nenhum par, nem ideia para o vestido, e nem fazia ideia se iria se inscrever para rainha do baile. Kentin observou seu sorriso e sorriu também, ele garante a ele mesmo que até lá ele terá um par para o baile, e não será o James. E garante que pode ganhar como rei.

O professor pediu ordem na sala novamente e todos se calaram, ele foi começando a falar a sua lista de duplas.

-Carl e Becky; James e Caroline; Liss e Harry; Kentin e Emily.

O mundo congelou, nenhum dos dois pensara que isso seria possível. Ou poderia ser algo da cabeça deles, mas eles sabiam que não era. Kentin até havia pensado nessa possibilidade, mas havia descartado alguns minutos depois, e Emily foi pega de surpresa, não tinha imaginado isso. Se fosse a semanas atrás, estaria tudo bem, mas agora a ideia de que Kentin iria a sua casa para estudar e eles teriam que obrigatoriamente se falar todos os dias, a assustava de uma maneira absurda.

James estava feliz por a pessoa que seria companhia de seu namorado, seria sua amiga. Ele não fazia ideia do que se tratava tudo isso para os dois. Liss reclamava da sua parceria com Harry, que apesar de ser lindo, era um cabeça oca. Becky gostou que fosse Carl, ele é lindo e popular, e ela poderia ganhar como rainha do baile com ele, porque com certeza eles iriam se aproximar e ele veria o quão legal ela é. Mas isso são pensamentos da própria.

Depois que a aula terminou e o sinal tocou para a hora do intervalo, todos saíram juntos e foram até a mesa que sempre sentam na cantina. Algo estava um pouco além do normal ali. Kentin havia sentado ao lado de Emily, que se esquivou para o lado, na intensão de dar espaço para que James sentasse ali, mas Kentin abriu mais as pernas não dando espaço.

-Senta na frente. - Kentin apontou para o banco, e James, meio contra gosto, sentou-se ali. - Vou falar com a Em sobre o trabalho. - O olhar de Ken para Em foi matador. Ela realmente estava se sentindo desconfortável com ele.

-Vou buscar minha bandeja. - Em levanta do banco e Kentin também.

-Quer que eu pegue algo pra você? - Pergunta Ken para James.

-Uma fruta, não estou com fome.

Ao mesmo tempo que Ken tentava alcançar Emily com passos largos, Liss e Becky retornaram com suas bandejas para a mesa. James acompanhou alguns passos do namorado até a fila da cantina, mas parou de olhar assim que Liss começou outro assunto com ele.

-Hey, Em. - Kentin chama a atenção dela. - Nós nem nos falamos direito hoje. - Ele encosta no ombro da pálida menina, que gela mais ao seu toque.

-An, nem percebi. - Emily tenta parecer indiferente com isso.

-Sou tão ruim pra você que não me quer por perto? Sabe que eu gostei de ser seu par no trabalho. - Seu dedo enrosca rapidamente numa mecha de cabelo escuro dela, que se esquiva para o lado pegando a bandeja.

-Menos mal que foi você. - Ela queria transparecer indiferença, mas isso estava deixando Kentin ainda mais instigado por ficar mais próximo a ela. A pergunta que não quer calar é o que fez Kentin ficar tão intensamente próximo a ela, com direito a sorrisos maliciosos e discretos. Até onde ela sabia ele não gostava de meninas, e até onde ele sabia, ele não gostava.

-Qual é, não somos nenhum desconhecido. - Ele pega a sua bandeja e a gira na mão. - Quando vamos começar a fazer nossos trabalhos?

-Quando quiser. - Ela responde nervosamente, Ken entendeu o nervosismo.

-Podemos arrumar um calendário para os encontros, ora em minha casa, ora na sua. - Quando Kentin termina a sua frase, além de Emily arrepiar-se e já estar gelada, ela entreabre a boca e ele ri. - Meus pais ficam em casa, não irei estupra-la. Até porque todos sabem que eu não gosto da sua fruta. - O olhar sempre é o que mais atinge ela.

-Vamos conversar sobre isso, mas a ideia de irmos cada dia para a casa de um, é legal, porque não irá ficar cansativo. - Emily tenta desviar um pouco mais o assunto do que estava indo, ele entende.

-Okay.

Emily não queria admitir que seu sorriso de lado e aquela carinha típica de garoto de boyband, eram lindos. Kentin não parecia tanto com um Londrino. Sua pele é mais amorenada que o normal, seus olhos são azuis escuros, seu cabelo louro escuro, ou castanho claro, denunciavam a mistura de raças que havia. Seu pai é Londrino, sua mãe é de descendência Portuguesa, seus avós moram em Lisboa, e é pra lá que ele vai na maioria dos verões.

Já Emily é de pais tipicamente Londrinos, mas seus avós e seus bisavós, são da Califórnia, sua mãe já nasceu aqui e então ficou com todos os traços de Londrinos, a pele que quase nunca pega sol, é descolorida, Emily puxou a pele dela, mas seus cabelos são negros. Não, eles não são pretos forte, é apenas um castanho bem forte, que ela herdou de sua avó materna. Os olhos esverdeados é do pai.

Assim que voltaram para a mesa da cantina, Ken sentou-se ao lado de James, que ficou sorrindo como bobo.

Os dias da semana passaram arrastando-se. No final de semana, Emily recebeu a visita de sua irmã e sua sobrinha de três anos. Seus primos também estiveram em sua casa, e depois que Em acabou beijando seu primo Phil, parece que eles não tiveram mais a mesma coisa de antes, na cabeça dos dois o beijo retratasse sempre quando se veem. A segunda feira chegou, e por milagre, hoje o dia estava mais quente, o que deixou a bela prender os cabelos numa trança lateral, e não usar o casaco da escola. Pegou seu café e seguiu para a escola, sabendo que hoje teria a aula de Inglês com o Mr Collins.

-Fiquei sabendo que a treinadora Carly abriu mais vagas para a natação. Disseram que ela teve um surto na outra aula porque as garotas estavam cansadas, então mandou metade para casa, e dispensou-as do clube. - Liss, porta a fofoca do dia, e choca a todos que estavam ali.

-Fico uma semana sem vir a aula, e muitas coisas acontecem. - Jerry começa a rir, e se encosta no armário ao lado de Emily. Ele lembra ainda quando na festa do John se beijaram, ela tenta evitar lembrar, afinal ele é só amigo dela.

-Uma hora longe do St Clare's, perde-se muita coisa, dude. - Kentin diz para Jerry que olha para os seus pés.

-E como foi de viagem? - Pergunta Emily, afim de saber como tinha sido, ele a olha de canto e sorri pensando em como seria bom se ela lembrasse do beijo assim como ele.

-Foi boa. - Lembrou principalmente sobre as mulheres que encontrou nas praias. - México é um lugar bem bonito.

-Mulheres gostosas? - Becky estava ajeitando as unhas com uma lixa de bolsa.

-Também. - Jerry concorda.

O que mais se comentava quando o sinal tocou e todos foram para as salas de aulas, era sobre o trabalho. As pessoas realmente estavam muito preocupadas, a maioria era somente pelo parceiro, mas todos agradeceram que Mr Collins compreendeu os limites das duplas, compreendeu que tem pessoas que realmente não poderiam fazer o trabalho juntas, como Caroline e Melissa, e Harry e James.

Emily pensava no baile quando o professor entrou na sala. A semana havia passado e ela não se inscreveu para rainha, nem arranjou um par e nem teve tempo de pensar num vestido que fosse legal e sexy o suficiente para retratar a bela Vegas. Ela imaginava mais ou menos como seria Las Vegas, um sonho. Pensava que poderia ser idêntico aos filmes, com homens poderosos, mulheres sexy's e lindas, e claro, muito jogo, drogas, bebidas e sexo. Ela não fuma, e nem pretende, mas beber já bebeu, não o suficiente para cair no chão, mas para ficar bem alegre.

-Com toda licença. - Quando Emily percebeu não havia mais seus amigos na mesa, e Kentin estava sentando ao seu lado. Ela franze a testa e ele ri.

-O que eu perdi? - Intervem ela.

-Mr Collins disse para sentarmos com nossas duplas e darmos inicio ao nosso trabalho, discutindo ideias, e todas as parafernálias das quais parei de escutar.

-Pensei que estivesse prestando atenção. - Ela inclinasse na mesa e pega a sua caneta para rabiscar o caderno.

-Estava, mas quando ele falou que íamos sentar com as nossas duplas, eu fiquei somente esperando os outros saírem. - Ele sorri de forma com que as bochechas de Emily ruborizem e ele perceba, sorrindo mais uma vez, vitorioso.

-Vamos fazer o que no trabalho? - Em muda de assunto rapidamente.

A conversa a partir dali foi sobre o trabalho. Em dava ideias e Kentin dava palpites sobre como melhora-las ou se elas dariam certo. Ela estava gostando da sua visão periférica sobre os estudos, e ele pensava que ela era mais inteligente do que parecia ser na aula de ciências. Talvez ciências não seja o forte dela, pensa ele. No caderno é rabiscado várias ideias, com prós e contras, com temas, com jogos de participação para movimentar a classe, e até prêmios eles pensaram em dar se fizessem um quest sobre a aula que eles deram, no final, e as pessoas que respondessem corretamente, ganhariam as pequenas lembranças, das quais nenhum dos dois ainda sabia o que poderia ser.

O que Emily sabia é que não será tão difícil quanto pensava, e Kentin está pensando a mesma coisa, porém, não sobre o mesmo assunto.

-Podemos nos encontrar em quais dias? - Pergunta Kentin observando o Mr Collins escrever na lousa as datas e as duplas, ele estava feliz por eles não serem os primeiros a apresentarem.

-Duas vezes por semana? - Em da a ideia, Kentin torce os lábios. - Muito?

-Não, pouco. Um trabalho como esse exige mais de nós. - Ele pareceu convincente para ela, e era assim mesmo que ele gostaria que passasse a imagem no momento.

-Hm, okay, três vezes?

-Isso. - Ele sorri.

-Segundas, quartas, e sextas. - Ela anota no caderno junto das ideias.

-Podemos começar hoje? - Pergunta ele, voltando a olhar para a lousa.

-An... - Emily pensa primeiramente nas pessoas em sua casa. Seus pais estariam no serviço, há apenas a Meredith na casa, ela não vê mal nisso. Pensou no seu quarto, que não estava lá essas coisas, mas daria para ele visitar. Ela fecha os olhos e ri por dentro, ela não quer impressionar ele, porque o quarto teria que estar um brinco? - Tudo bem, começamos hoje.

-Após a aula? - Pergunta ele puxando o caderno e a caneta dela.

-Sim. - Em observa ele anotar a data da apresentação e circular com a mesma caneta para dar ênfase ao lembrete.

-Okay Ma puce.

-Conheço francês o suficiente para saber que você me chamou de pulga, Kentin! - Ela fecha seu caderno e tampa sua caneta. - E a propósito se pronuncia Ma puce. - Em fala de um jeito mais sofisticado, usufruindo das aulinhas que teve particular há um ano atrás.

-Me pegou, não sei falar francês. - Da maneira que ele estava falando, e de como estava se portando, quem olhava nunca diria que ele gosta - ou pelo menos demonstra - gostar de meninos.

-Eu também não sei. - Ela balança os braços e ele ri.

-Sabe sim, pronunciou ma puce muito bem.

-Não é assim, é ma puce. -  Ela o corrige novamente.

Kentin a fez repetir novamente porque amara da forma como ela falou, sua voz saiu de forma tão delicada, mais delicada do que já é. Quando o intervalo apareceu, James logo tratou de ficar ao lado do seu namorado, o que possibilitou que Emily se afastasse. Não que a aula tenha sido ruim ao seu lado, na verdade foi bem divertida, mas ela queria evitar problemas, e evitar pensar no que tanto a aterroriza.

A cantina, as voltas na quadra, foram as mesmas coisas, realmente aquela segunda feira não tinha nada de diferente, só estava melhor pelo fato de ter aberto um lindo sol, o qual Londres não via há tempos.

No final da aula, Emily guardava seus cadernos no armário e pegava a sua bolsa, quando fechou a porta do seu armário, assustou-se com Kentin ao lado dela.

-Vai me oferecer uma carona? - Pergunta ele.

-Para que ir no meu carro velho se você tem uma bela moto? - Ela faz a pergunta, mesmo não querendo ter dito isso em voz alta.

-Wow! - Ele faz rendição com as mãos e ela ri, girando os calcanhares em direção a saída. - Vou ter que descobrir onde é a sua casa? - Pergunta ele mais alto, parado no mesmo lugar.

Emily limitou-se a fazer apenas um sinal positivo sobre os ombros, com as mãos, e continuou a sua caminhada para encontrar Liss e Becky no estacionamento, enquanto Kentin admirava a bela visão do seu olhar, até ser surpreendido por um beijo em seus lábios. James!

Quando Em entrou em casa viu que ele não tinha a seguido, pois não tinha chego ainda, então subiu para o quarto e guardou algumas coisas que estavam fora do lugar e verificou se não havia nenhuma calcinha por debaixo da cama, ou algo do tipo.

-Emily, querida, a campainha tocou, eu atendi e é um menino, Kentin! - Após duas batidas, Meredith fala.

-Ah, obrigada, pode deixar que eu atendo ele. - Ela respira fundo e sai do quarto em direção a porta da entrada.

Emily desce as escadas com rapidez, acostumada com os degraus de madeira importada, enceirados duas vezes ao mês. Seus pés escorregam quando ela pula os três últimos degraus, e sozinha, ela ri. Prontamente olha pelo olho mágico, e lá está Kentin, mas ele não está mais com o uniforme da escola, ele veste uma camisa preta, uma jaqueta de couro da mesma cor está em seus braços, nas suas costas uma mochila, e uma calça jeans. Ela concluí que a demora dele é referente a ida a sua casa para trocar de roupa. Emily olhasse e ri, quando constata que não trocara a roupa da escola.

-Hey lil. - Ela ri por ele se referir a ela da maneira que o pai chama-a. - Pensei que não iria mais atender. - Kentin permanece no mesmo lugar.

-Desculpa, não tinha avisado para Meredith que iria vir. - Ela abre mais a porta para ele se dar de conta que era para entrar. - Entre.

-Com licença. - Ele respira fundo e entra pela porta.

Kentin admirara cada canto, enquanto Emily o direcionava até a biblioteca, eles iriam estudar lá, já que seria melhor e seu pai estava trabalhando. Ele ficou esperando ela, dando uma olhada na estante vendo cada livro que ali tinha. A maioria eram livros de medicina. O pai de Emily é médico no hospital da cidade, no maior de todos, e sua mãe tem uma galeria de arte, sociedade com uma amiga da família. Kentin estava deslumbrado com tudo aquilo, aquela casa. Não que ele fosse pobre, ele tem muito dinheiro, e sua casa também era enorme e com tudo que uma família potente tem direito, mas ele estava deslumbrado por poder adentrar um pouco mais na privacidade da pequena Emily. Ele estava feliz de estar ali, e queria tratar de mostrar isso a ela, a qualquer momento.

-Trouxe os livros da escola, e em alguma das partes daqui tem livros que podem dar um auxílio para nós. - Ela havia soltado seus cabelos, e como a trança estava apertada, havia deixado formosas ondas em seus cabelos, Kentin havia amado aquela forma. Sem saber que isso era sexy, ela coloca uma das mechas para trás da orelha, enquanto olha os livros que trouxe.

-Eu só trouxe o material da escola, mas da próxima vez trago mais, pesquiso melhor, e também já vamos saber de mais coisas. - Ken sorri, Em sorri, e os dois se encaram por leves segundos, dos quais parecem uma pequena eternidade.

Emily olhou as estantes e achou uns três livros que pudessem os ajudar. Sentados rente a mesa, um de frente para o outro, começaram a estudar e pesquisar maneiras de fazer a aula ficar interessante e produtiva. Ambos gostariam de uma aula diferente, que fugisse do tédio que normalmente todas são. A bela levantou da cadeira e ligou o som baixinho, perguntou se havia problema, mas ele negou, na verdade ele até preferia um som baixinho.

-Maroon 5? - Ele surpreendesse. - Não sabia que gostava.

-Eu amo, na verdade meu pai também gosta muito.

-Também gosto bastante.

Mais algumas músicas da banda, passou-se a dar Adele, envergonhada por ser músicas muito "menininha", ela levantou e trocou, agora tocava mais pop's teens, ela gostava, e ele impressionou-se com o gosto o musical da mesma, e teve uma boa ideia em sua cabeça. Tudo continuou normalmente, eles conseguiram entrar num consenso sobre o que iriam fazer, e daqui por diante era só montarem as coisas direitinhos e com planejamento para nada dar errado.

Meredith trouxe biscoitos e suco para o casal que ainda estava conversando sobre a aula. Ambos atacaram os biscoitos feitos por Dith - apelido carinhoso pelo qual Em chama a governanta -, e tomaram o suco de laranja.

O encontro de quarta feira não teve nada demais, foram as mesmas coisas que o encontro de segunda. Estudaram, comeram, conversaram um pouquinho e por fim, ele foi embora. Emily havia pensado que poderia ser pior, mas se martiriza por pensar isso dele, acha que tudo isso é de sua cabeça.

-Andei sabendo que nosso período na quadra será o mesmo que os dos meninos no campo. - Liss aperta mais seu rabo de cavalo na cabeça.

-Ontem foi o primeiro encontro de estudos com o Carl, ele me viu de pijama, pois pensei que ele não fosse aí tinha trocado de roupa, então eles me vendo de short hoje, é até normal. - Caroline amarra o cadarço de seus tênis para a Educação Física.

-Já tenho ódio por aquela saia que somos obrigadas a usar, tenho mais ódio desse microshort. - Emily esbraveja enquanto passa a presilha ao lado do cabelo para não deixar aqueles fios xaropes, incomodarem.

-Se você tivesse as pernas como as da Amy, eu concordaria em você ter ódio pelas coisas curtas, mas você tem as pernas lindas, então pare de ser idiota. - Liss da um tapinha em suas costas.

Todas as meninas saem do vestiário, o que a professora Jones mandou era três voltas completas ao redor do campo de futebol, claro, antes o famoso aquecimento. Enquanto as meninas faziam o aquecimento, Emily e a maioria estava com ódio, por terem que correr ao redor do campo. Realmente não era o forte delas correrem. Em se sentia sedentária quando falava e pensava isso, mas a culpa não é dela se a mesma odeia correr. Se fizessem uma lista das coisas pelas quais Emily sentia ódio, seria bem grande. Ela não sabia de quem herdara isso, já que sua mãe é tranquila, e seu pai é mais ainda, seus avós são pacíficos e pagam para não arranjarem problemas, e nem incomodação. O que sobra para ela acreditar é que o ódio, ausente em seus familiares, acumulou e parou sobre ela.

A corrida começou, mal tinham completado meia volta, e algumas já morreriam por estarem conversando ao invés de estarem correndo e respirando coerentemente pelo nariz. No campo, o treinador Foster havia parado com o jogo, dois meninos haviam se estranhado, então ele fora para a direção juntamente dos dois marmanjos, e os outros ficaram praticando gol à gol. Kentin perdeu de chutar a bola quando viu que as meninas corriam em volta do campo, quando viu que Emily corria em volta do campo. Quando a corrida delas parou, Emily caminhou um pouco mais para ir até o bebedouro, e Kentin foi atrás. Ele havia amado aquele short curto, aquela blusa regata realçando seus seios, sem contar nas suas pernas lindas.

A verdade é que Kentin não havia se interessado por mulher alguma, sempre gostou de garotos e da forma com as quais eles vivem, mas após conhecer Emily, ele sabia que tudo iria mudar. Nenhuma mulher ainda lhe desperta interesse como a pequena Em. Ela, além de linda, é inteligente e sabe conversar com alguém sem falar somente coisas fúteis. Após longos minutos de observação, ele estava parado encostado na parede, e ela quando o viu, se assustou.

-Molhou sua blusa. - Ele aponta para a blusa dela, e ela ri.

-Estava morrendo de sede. - Comenta voltando para o campo, e ele se põe ao seu lado.

-Eu vi, pensei até que iria secar o departamento de água de Londres. - Emily ri do tamanho exagero de Ken, e ele ficou feliz por vê-la sorrir.

-Ela não teve uma boa noite de sexo, e desconta em nós, fazendo-nos correr em volta desse campo enorme! - Realmente, era só mais um ódio para acarretar na lista de Emily, e ele sabia que ela estava se referindo a professora.

-Com uma boa noite de sexo, acordamos felizes? - Pergunta ele. Emily cora, mas responde.

-Óbvio.

-Então acho que é por isso que ando acordando triste e de mau humor.

Ela ri dele, novamente. Uma coisa Emily tinha que admitir: ele era um dos caras mais engraçados que ela conhecia.

A semana passara tão rápido, rápido ao ponto de Emily não conseguir fazer um trabalho que precisava entregar. Ela batucava o lápis na sua mesa, enquanto os alunos iam conversando. Ela se culpava por não ter lembrado do trabalho, nunca acontecera isso antes, e isso realmente a chateou.

-Lil, sua sorte é que eu sou prevenido. - Kentin joga um arquivo em sua mesa, envelope amarelo, e com nada escrito.

-O que é isso? - Pergunta ela colocando a mão por cima.

-Um trabalho de história, meu período preferido é a segunda guerra, achei que pudesse fazer dois trabalhos. - Ele sorri sentando-se na mesa, ela o olha pensando que ele era um idiota por fazer dois trabalhos, mas agradeceu à Deus por isso.

-Quanto lhe devo? - Pergunta Em abrindo o envelope.

-Nada.

-O que é isso? - Ela puxa uma caixinha de CD junto com o trabalho.

-Um CD que gravei para você. Tem umas músicas que eu gosto e acho que irá gostar também, e umas mixagens que peguei na internet.

-Você não existe, geek boy.

Kentin estava feliz com mais um apelido, e ela realizada com o CD e um trabalho de história. Com o passar daquela semana o relacionamento deles ficou melhor, Ken sabia-a fazer sorrir e rir, e ela pensava que a amizade dele estava sendo melhor do que pensava.

Nenhum dos dias da semana seguinte foram suficientes para a Sr Morgan, mãe de Emily, a levasse para escolher o vestido do baile, as meninas haviam escolhido os vestidos no final de semana, com suas mães, as duas juntas, enquanto ela não tinha um vestido, nem um par, e já se contentara em não se inscrever para rainha do baile. Não é só isso que a incomoda, James percebeu que o namorado está mais próximo de Emily, e não ficou nada feliz com isso. Emily sabia que ele não estava feliz com isso, pois James estava evitando-a naquela semana, e ela pensara exatamente isso: James estava com ciúmes da amizade dela com Kentin.

-Desculpa, não posso hoje, eu preciso comprar meu vestido. - Emily ajeitava  seus cadernos na classe após a aula do Mr Collins.

-Eu posso ir junto com você, lil?

-Está sugestivamente exposto a andar comigo por várias lojas da Union Street? - Ela arqueia levemente sua sobrancelha e ele da um sorriso torto.

-Estou disposto a essa tortura.

-Achei que gays gostassem de fazer compras! - Comenta andando em direção da porta da sala.

-Gays, eu não.

Não sabia muito bem sobre o que pensar quando ele falou isso, então preferiu ficar sem pensar nada sobre ele. Aceitou seu convite de ir junto dela comprar o vestido, afinal, ela precisava de alguém que a visse nos vestidos para concordar. Ken pegou o carro dela na carona, e deixou sua moto na escola, mas ela prometeu que passaria na casa dele pela manhã para leva-lo a escola. Na rua, Emily entrava em quase todas as lojas, não escolhia nenhum vestido preferido, e Kentin achou estranho o comportamento da moça quanto as roupas, normalmente as meninas iriam experimentar todos os vestidos.

-Se eu for experimentando muitos, vou querer levar mais de um para usar, e o baile é único. - Ela responde a pergunta de Kentin, passando a mão pelos vestidos coloridos da arara.

Kentin a admirara em alguns - poucos - vestidos que ela experimentara. Mas somente na última loja que eles foram, ela experimentou três vestidos. Mostrou um amarelo fraco, com pedrarias na barra da saia, e franjas na alça. Ele reprovara porque o amarelo não havia contrastado com sua cor pálida de branca de neve. O outro foi um rosa, pink, no qual tinha pedrarias e bordados na parte do busto e era realmente muito lindo, mas Ken a alertou, dizendo que muitas usariam rosa naquela noite. Então Emily se deu por vencida e provou o último vestido do dia, o qual ela não pensou duas vezes em levar e não mostraria para Kentin. Enquanto a moça arrumava o vestido na caixa redonda e o colocava dentro de uma sacola, eles esperavam no caixa.

-Porque não me mostrou esse que irá levar? - Pergunta Kentin, curioso.

-Porque esse é especial, quero chegar no dia e ver o espanto de muitos. - Ela sorri de maneira sexy e ele se derrete por dentro, olhando para a sua boca e pensando no quão bom deve ser beija-la todas as manhãs, todos os dias, a hora que quiser.

O baile seria daqui duas semanas, e a apresentação dos amigos foi ontem. Mr Collins estava realmente feliz com todas as apresentações, mas a que mais o chocou foi a de Kentin e Emily. O trabalho foi incrível, e toda a sala também gostou, ninguém ficou parado, todos participaram e mostraram estarem gostando da aula. James havia apresentado naquela manhã, antes do intervalo que agora estavam, e ele não estava com seu humor de sempre, ele estava incomodado por ter sido deixado de lado desde que Kentin começou a andar com Emily.

Após o sinal tocar, Emily se atrasou no banheiro das meninas, enquanto arrumava sua saia. Ela saiu do banheiro e deu de cara com seu amigo.

-Kentin, não deveria estar na aula? - Pergunta a menina.

-Deveria, mas eu sabia que estava aqui e resolvi esperar.

-Esperou numa má hora, irei cabular esse horário. - Ela torce os lábios enquanto cuida se a inspetora está pelo corredor.

-Cabularemos juntos, tudo bem para você? - Sua barriga se revira, ela sente um breve calafrio, mas não vê nada demais, será até legal ter uma companhia, então concorda.

Juntos andaram pelo pátio da escola, cuidavam os lados para não acharem a diretora, muito menos a inspetora. Haviam algumas pessoas na quadra e algumas no campo, mas nenhuma que pudesse apresentar risco para ambos. Sentaram-se longe, próximo as árvores da escola, depois de passarem o campo. Kentin ofereceu um casaco que tinha extra em sua mochila para Emily sentar-se sobre ele, e ela aceitou.

-Qual foi o motivo da falta? - Ken refere-se a aula que estão matando no momento.

-Não estava afim de vir, mas minha mãe me acordou, fiquei até o intervalo, mas não aguentaria mais um momento dentro da sala.

-Ás vezes a escola é um saco. - Kentin recolhe uma pedra do chão e a toca longe.

-Agradeço por ser meu último ano.

-Nosso último ano. - Ele a corrige e ela ri, colocando o cabelo para trás da orelha.

A conversa fluía genuinamente. Ele estava afim de ficar mais tempo, ela até que também queria, mas ao mesmo tempo precisava ir para casa pensar sobre tudo no final do ano letivo. Ambos na verdade precisavam ir embora. Foi quando o sinal tocou, eles andaram rindo e brincando até a entrada da escola. James observou a seguinte cena e ficou com ódio. Vários motivos o levou a pensar muitas coisas: 1 - Ele tinha cabulado aula. 2 - Ele não tinha avisado nada a ele. 3 - Ele estava distante e frio demais. 4 - Ele sabia que não era algo normal.


No outro dia, Emily estava sorridente, até ver de longe James e Kentin conversando. Liss e Becky falavam sobre os penteados, enquanto ela estava curiosa para saber o que se passara naquela conversa. Ela estava pensando no que Kentin poderia estar ouvindo de James, e só de pensar nisso, seu coração ficou congelado. A conversa, de longe para ela, e de muito perto para eles, não estava tão amigável. James estava realmente bravo, e Kentin sabia que ele tinha razão e se sentia um idiota por isso, mas ele não poderia negar o que estava mais do que na cara: não era James que ele queria, ele queria a bela de cabelos castanhos escuros, olhos esmeralda e pele pálida e na maioria do tempo gélida. Ele queria Emily.

-Você é um idiota, eu deveria saber disso. - James estava impossível, falando mil coisas, ou melhor dizendo, cuspindo.

-Chega! - Kentin ordena. - Acaba comigo de uma vez e mande-me a merda, diga que nunca mais quer olhar na minha cara, será melhor do que estar ouvindo tudo isso. É difícil pra você, eu sei, mas não diga que está sendo fácil pra mim.

-Okay, acabou.

As seguintes palavras foram quase apagadas do seu cérebro enquanto ele ouvia o que James dizia. Ele só estava pensando numa coisa, um jeito melhor de se aproximar de Emily. Agora não há nada que o impeça.

O clima não era mais o mesmo na rodinha de amigos quando estava James e Kentin. Se estava somente um dos dois, era conversas e risadas, tudo que tinha antes, mas se os dois estavam, parecia que a conversa sumia de vez. Emily queria se sentir culpada, mas ela não conseguia. Por mais que seja o seu amigo que tenha quebrado o coração com um cara o qual está virando seu amicíssimo, ela se martirizava por estar feliz. De certa forma ela sabia o porque sentia isso, mas preferia enganar-se a si própria do que admitir tamanho sentimento.

O baile chegou. A bela Emily recebera o convite há duas semanas atrás do Eric, menino da outra classe. Ela estava pronta, e estava se sentindo linda, esperava que a noite fosse perfeita, afinal, é seu último baile do ginásio. O corsage de flores azuis claras foi posto em seu punho, enquanto Eric a cumprimentava. Ambos pararam ao lado do outro para tirar a foto que a mãe de Emmy queria tanto. Ela estava realizada com a sua última e primeira date. Ambos entraram na limousine e seguiram até o ginásio, local da festa.

Quando os dois entraram no baile, Kentin logo viu sua amiga, ela estava radiante. E não era pelo holofote que colocaram nos dois para sinalizar que mais um par havia chego, mas sim porque aquele vestido que ela escolhera, era o melhor que ele havia visto, talvez ficasse normal em outra garota, mas nela havia ficado magnífico. O azul magistral, composto por uma grande fenda ao lado, na saia, e no busto lindas pedrarias pratas, com aquela sandália de salto, também prata, havia ficado lindo. Todos sentiam que aquela noite seria especial, a dança estava animada, mas logo na primeira dança mais lenta, Emily apoiou sua cabeça no ombro de Eric e ficou pensando em tudo que estava acabando. Nos momentos que havia passado, e nos amigos que talvez nunca mais veria. Olhou para Liss dançando com seu acompanhante, rostos colados, olhou para Becky, acompanhada de Carl, também aparentando estar muito feliz. Viu Jerry conversar com uma menina, sentados na mesa, e James... Bom, James estava conversando com Harry, e o papo parecia ir além de amigos. Finalmente estava tudo se encaixando.

-Vou buscar ponche pra nós. - Eric avisa para Em, que assente.

Bon Jovi começou a tocar. Kentin havia dito a ele mesmo que ela não iria ficar sem dançar, então ofereceu sua mão a bela moça, pela qual fez uma reverência a seu pedido e foi tomada em seus braços. Dançaram sob a luz fraca e o globo que estava pendurado no meio do ginásio. Eric retornou com o ponche em mãos, mas Kentin apenas disse que ela não queria beber. Em por sua vez, ri baixinho da atitude dele.

-Você está magnífica está noite. - Ele fala quando a gira na dança.

-Dei o meu melhor. - Ela balança os ombros e ele ri da sua modéstia.

-Podemos fugir? - Pergunta Kentin.

-Para que? - Interroga Emily.

-Quero beija-la, e receio que fazer isso aqui, seria um pouco impróprio. - Ele faz um sinal de pouco com seus dedos e ela ri.

Emily o puxou pela nuca, e ambos sabiam o que viria depois. Suas bocas entreabertas se juntaram, e as mãos da moça laçaram o pescoço dele. Suas línguas pareciam já se conhecer muito bem, e a sincronia estava tão perfeita quanto como de um time de nado artístico. Emily sentia que aquele beijo era o melhor que recebera na vida, e Kentin sentia-se com a sensação de missão cumprida, mas um sinal em sua cabeça alertou: nada acabou, apenas começou. Já para Emily, o sinal foi: ela pode odiar todas as coisas, sentir raiva facilmente, mas sempre há um porto seguro. Ela nunca sentiu ódio por ele, e agora muito menos. Ela sentia-se com poder de voar, e ele com poder de dar asas para ela.


Essa fic também encontrasse no Spirit e no All Time Fanfics. Fiquem à vontade e obrigada por acompanharem. Atenciosamente, Adriana Nunes.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Do I wanna know? - Short fic Bruno Mars


September, 17th 2004 - Los Angeles - Dodger Stadium, LA talent anonymous american

Me sinto um pouco perdida quando o assunto muda de música, para conhecimentos geográficos. Cada um, com uma grande experiência de vida, já passou por tantos lugares, e eu mal saí dos Estados Unidos. Na maioria das vezes me sinto perdida ali, sou a mais jovem entre eles, e a mais jovem jurada de programa musical, tudo isso devido ao meu currículo quando entrei  para Julliard. Devo tanto ao meu mestre, Smith, que me apadrinhou e fez questão de me dar um bom cargo a partir do meu primeiro mês lá, além de no primeiro ano conseguir um posto como esse, jurada de programa de talentos, tendo como contato seus amigos e colegas. Mas a minha base de trabalho é somente selecionar os melhor para que eles vão para a etapa da televisão, onde não será eu que irá escolher algo.

Me considero uma pessoa de sorte, melhor dizendo.

O que me mata é andar de avião para Los Angeles quase toda a semana. Agora o reality show ainda está em fase de audições, para pegar somente os melhores, e eu só posso participar das que estão acontecendo mais próximas de Nova Iorque, ou seja, o máximo que venho é Los Angeles, mas só porque meus tios vivem aqui, e tem pessoas responsáveis por mim, já que ainda não completei minha maior idade, 21.

-Falta cinco minutos para entrarmos na bancada. - Avisa a assistente.

Fico brincando com meu copo descartável vermelho, pensando nas provas que tenho semana que vem. Tenho que treinar muita coisa, e estudar outras, e o tempo está parecendo estar tão curto.

Sentamos na bancada, eu ao lado de Alicia, e nas pontas estão Kennedy e Jace. O pessoal da assistência foi chamando os concorrentes por números, e a cada um que passava, nós anotávamos algo e conversávamos rapidamente - ás vezes eu não tinha muita voz para decidir algo, então apenas ficava quieta e assentia com o que eles falavam, mas posso dizer que perdemos grandes talentos. Mas na maioria das vezes é uma coisa legal de se fazer, nos divertimos bastante.

-Número 1384. - Levanto meu rosto que estava fitando a folha, e quando vejo o candidato, o acho engraçado, mas ao mesmo tempo fofo.

-Qual seu nome querido? - Pergunta Alicia.

-Peter. - Responde um pouco tímido, característica normal de quem se apresenta.

O assunto não durou, porque nosso trabalho era apenas ouvi-lo cantar e julga-lo se sim, ele entra, ou não, ele não entra. Sua voz foi magnificamente ampla naquele pedaço reservado do estádio. Ele tinha potência, seus graves, agudos, eram usados na hora certa. Confesso que não tinha esperado tanto dele, mas quando o ouvi cantar, vi que me enganei. Sua  tonalidade de voz é perfeita, e eu garanto que se ele passar, ele vai pras finais. Meu voto com certeza é sim!

O final da música chegou, e todos nós nos olhamos. Mostrei meu voto, que muitas vezes não é posto em questão, e vi que Jace estava em dúvida. Alicia e Kennedy haviam votado não. Torci para que ele votasse que sim, assim Peter poderia cantar outra música. Mas não foi o que aconteceu, ele apenas perguntou a idade dele, ele respondeu, e ele deu seu veredito: não.

A cada não que as pessoas ganhavam ali, eu me colocava no lugar. O que eu sentiria se fosse comigo. Provavelmente me devastaria, cairia em choro no palco, seria tirada a força dali e perguntaria o que eu fiz de errado. Costumo ser dramática quando as coisas não dão como planejadas.

No backstage eu fui "convidada" a buscar duas águas para Jace e Alicia e enquanto estou indo atrás da água e entro no pequeno estabelecimento do estádio, encontro o mesmo menino, Peter, que não passou para a seleção. Ele conversava com um cara mais velho que ele, e parecia bem devastado, mas seu olhar não era de perdedor, era de quem iria tentar muito mais vezes ainda, até chegar no topo do mundo, e eu posso dizer que enxerguei um grande batalhador e vencedor nos olhos dele. Peguei as águas e o encarei enquanto saía, ele me olhou rapidamente, mas nada demais, então segui meu caminho.

Uma menina encostou no meu braço levemente, lembrei dela e da cor dos seus olhos, que agora estavam vermelhos. Não lembrara se ela fora aprovada ou não, então apenas quis ser carinhosa e a abracei. Ela chorou no meu ombro e eu encostei no seu braço quando nos desvencilhamos.

-Eu queria tanto...

-Hey, calma! - Peço e ela sorri de leve, já melhoramos um pouco. - Deus fecha uma porta para que mais três se abram. Novas oportunidades irão surgir, você verá.

-Obrigada. - Ela limpa a parte de baixo dos olhos e olha pra cima respirando fundo. - Eu não costumo abraçar desconhecidos.

-Eu não costumo falar com candidatos, mas me sinto sozinha nessas viagens. - Agi como se contasse um segredo e ela gargalha gostosamente.

-Obrigada mais uma vez por ver que eu ainda tenho esperanças.

-Todos temos. - Observo a menina ir embora, e viro-me para entrar na parte do backstage, mas dou de cara com aquele garoto, Peter, em minha frente.

-Com licença. - Peço com educação.

-Eu ainda tenho chances? - Ele faz a vaga pergunta e eu fico o encarando para entender. - Quer dizer, eu ouvi o que disse para a menina. Quero saber se tenho chances.

-As suas são maiores do que muitos, você está no caminho certo quando escolheu a música. Você manda bem Peter, e acredite que as chances não acabaram, a vida é muito longa e muitas surpresas vão vir. - Sorrio pra ele e ele sorri de volta. Seu sorriso é tão lindo quanto o de uma garota vaidosa.

-Obrigada. Lembrou meu nome? - Peter ri como se isso fosse algo impressionante. - Mas gostaria que me chamasse de Bruno.

-De nada, e eu lembrei sim. Tenho uma boa memória. - Sinalizo minha cabeça.

-Você não é muito jovem para ser jurada?

-Muitas perguntas, Bruno! - Fecho os olhos assentindo. - Sou mais jovem do que pensa, mas muito mais inteligente do que imagina.

-E muito convencida. - Ele ri descontraído. - Nos vemos por aí...- Ele estende a mão, creio que não concluirá sua frase porque está esperando eu falar meu nome.

-Hanna. - Coloco a outra água na outra mão e aperto a mão dele olhando nos seus olhos.

-Nos vemos por aí, Hanna.

-Creio que não, ao menos que more em Nova Iorque! - Rio e ele arqueia as sobrancelhas.

-Meu irmão mora lá. Nos vemos, doce Hanna.

July, 22th 2004 - Center Park, New York

-Se meu preferido não fosse flocos, seria chocolate. Sorvetes me fazem sentir melhor. - Amy, minha melhor amiga e quase irmã, estava comendo um sorvete de casquinha, na verdade o segundo.

-Eu faço você se sentir melhor. - Arqueio as sobrancelhas e ela ri.

-Também, mas sorvete é um dos melhores amigos da mulher, além de filmes românticos e música.

-Melhor amigo da mulher depressiva. Meus melhores amigos são música e livros.

-E eu. - Ela dá um sorriso aberto e eu abro o meu na medida do possível.

-Hanna Adams Miller. - Amy diz meu nome completo e a única coisa que eu sinto vontade é de me tocar dentro da fonte de água. Odeio meu sobrenome porque minhas iniciais formam HAM¹, um apelido infame que tive no ginásio, e eu o odeio. - Você precisa ver como a vida é bela, há tantas pessoas...Há um destino, amiga.

-Eu sei. - Bufo enquanto sento no banco em frente a fonte. - Eu queria só ser feliz.

-Você é uma das pessoas mais sortudas que eu conheço, e olha que eu conheço muitas pessoas. Fala sério. Você tem uma família perfeita, estuda na Julliard, está com seu destino quase feito, porque a emissora quer o contrato com você.

-Não é tão simples. - Giro o sorvete que está na minha mão.

-Não vai me dizer que vai falar do seu último namoro! Steve foi um idiota, e você está sendo uma nesse momento. - Ela permanecia em pé, me dando um sermão, me senti novamente na infância quando levava muitos da minha mãe por aprontar como um garoto. - Vivemos em Nova Iorque, estamos no Central Park, tem muitas pessoas. O amor da sua vida pode estar aqui, mas você não se abre. - Ela bate levemente em minha cabeça e eu ponho a mão onde ela bateu. - Acorda pra vida, Ham.

-Se me chamar de Ham, quem vai ter que rezar para acordar vai ser você, assim que eu lhe colocar no hospital. - Ela ri. - Não brinque comigo, sou do Bushwick².

A conversa foi levada para o mesmo rumo, o de sempre, sobre eu não ter tido tantos namorados, um pra falar a realidade. Steve foi o único cara com quem namorei de verdade, não que eu não pudesse ter outros, na verdade já houve oportunidades, mas nada é a mesma coisa, eu preciso de meu tempo, poder fazer minhas coisas sem satisfações, ser livre!

Mas parei a conversa quando de longe avistei uma pessoa conhecida. Peter - ainda lembro o nome dele - me olhou no mesmo momento e sorrimos um para o outro. Pedi licença para Amy, e entreguei meu sorvete - sei que quando voltar não terá mais meu, porque ela terá comido -, e fui ao encontro dele.  Suas vestimentas e cabelos estavam diferentes de quando eu o conheci, há quase um ano atrás, mas eu o reconheceria em qualquer lugar.

-Doce Hanna. - Ele sorri. Eu fui tão significante para ele? - Como está? - Sua mão se estende para que eu aperte, e assim fiz.

-Estou bem Peter, e você?

-Estou ótimo. - Sorri e olha para os lados. - Falei que um dia nos encontraríamos, não?

-É, falou. - Eu rio lembrando daquele tempo. - Está tentando mais shows de talentos?

-Me inscrevi para alguns, mas nesses mal passei na seletiva inicial, então só estou tocando nuns bares, escrevendo e tocando algumas coisas e largando nas gravadoras, mas a vida não é tão fácil para alguns. - Nesse ponto eu agradeço pela vida ser boa comigo, mas não se pode ter tudo, não é?

-Você vai conseguir, sei que é um vencedor. - Recebo seu sorriso de volta. - Não sabia que escrevia.

-Você não sabe tanta coisa sobre mim. - Assenti, pois é a verdade, não sei basicamente nada dele. - E você, perdida por aqui?

-Vim dar uma volta, um dia tão lindo não merecia ser gasto em casa com livros e música. - Rio e ele me acompanha.

-Então é isso que faz? Lê e escuta música?

-Não... Leio, estudo muito, e faço a música! Eu toco instrumentos, afinal é pra isso que estou estudando. - Rio descontraída e ele me olha, parecendo impressionado.

-Qual instrumento toca? - Pergunta.

-Piano, violão, e violino por enquanto. Arrisco umas batidas na bateria, mas não tenho tanta coordenação para isso.

-Também toco! Minha família é de músicos, então sou praticamente influenciado desde pequeno.

-A família do meu pai tinha uma banda nos anos 70, e então todos tem uma paixão mais forte pela música.

-Entendo...mas, onde estuda? - Ele coloca a sua mão no bolso da calça jeans.

-Na Julliard...

-Nossa, não sabia... - Ele pareceu realmente impressionado.

-Você não sabe muita coisa sobre mim. - Pisco para ele usando a mesma frase que ele me usou há poucos minutos.

April, 12th 2007 - House of Adam's uncles - Los Angeles, Califórnia

-Você foi naquele lugar? - Pergunto novamente para Bruno, que está sentado na cama, usando uma cueca e os cabelos molhados, por a recém ter saído do banho.

-O que acha? Não! Eu não fui. Pra que eu iria... eu tenho você, Hanna. - Ele me fala o mesmo discurso de minutos atrás, quando encontrei o papel da casa de massagem.

-Se você não estiver contente comigo, nós podemos conversar. Estamos há tempo suficiente para termos essa intimidade.

-Tempo que você passa mais em Nova Iorque do que aqui. - Ele desconta minha ausência, motivo maior de nossas brigas.

-Será porque eu tenho bolsa parcial na Julliard, e eu moro em Nova Iorque? - Ironizo.

-Não vejo a hora dessa sua maldita faculdade acabar... - Bruno comenta baixinho, o suficiente para que eu pudesse escutar.

-Pelo menos eu estou estudando para tentar ser alguém na vida. - Fecho os olhos tentando conter minha raiva. Bruno me olha, ele odeia quando eu faço isso, não preciso esfregar isso em sua cara, mas ele não me deixa opções.

-Se a faculdade for sinônimo de virar uma pessoa chata, eu prefiro não estudar mesmo! - Sim, ele me chamou de chata. Respiro fundo e fecho a porta que estava encostada. O que fazer?

-Melhor ser a chata do que não ter nada para comer durante a semana. - Isso estava passando os limites, estávamos pior do que crianças de escola brigando por lanche. Seu olhar bate com o meu, eu sei que não é fácil pra ele, eu sei que pego pesado, mas eu não posso deixar ele falar comigo assim.

-Nós somos um casal, Hanna? Porque acho que nós dois não passamos de estranhos que se encontram semanalmente. - Respiro fundo e ele levanta da cama.

-Você era diferente quando lhe conheci, entendia minhas prioridades, até me ajudava com os estudos ás vezes, com notas musicais... Onde foi parar aquele Bruno?

-Talvez no mesmo lugar que você pôs a Hanna que eu conheci. Aquela menina doce, carinhosa, que não pensava só em ser alguém e se formar. Que aproveitava...

-Chega. - Digo chorosamente.

Ele sempre sabe o ponto que me atinge. Eu não sou nenhuma louca por serviço, e nem por estudos, mas eu preciso estudar para ter as coisas que eu sonho, para ser alguém. Ele parece não entender mesmo... Eu sei que tenho estado mais ausente do que presente, mas as nossas cidades não são uma ao lado da outra, nós não somos vizinhos, nada está tão fácil como era em 2004. Ano do inicio do nosso namoro. Levo minha mão para o olho, não quero chorar.

-Quer que eu vá embora? - Pergunta ele caminhando para perto da sua mochila de roupas.

-Sim. - Respondo com o ego ferido.

-Me escute, Hanna. - Bruno se aproxima novamente de mim e leva suas mãos nas laterais do meu rosto e olha nos meus olhos. - Nós dois estamos cansados disso, então, no momento que eu cruzar aquela porta, saiba que eu não pretendo mais voltar atrás.

Era uma coisa para pensar. Vão ser quase três anos de namoro indo por água abaixo, mas eu tenho escolha? Ele não me aceita, quer que eu praticamente pare de estudar para viver as suas aventuras de um lado para o outro, pulando de gravadora em gravadora ouvindo milhares de nãos. Não quero ser assim, não quero esse futuro pra mim.

-Você não precisa responder, eu entendi tudo. - Bruno dá as costas pra mim, pegando sua roupa sobre a cadeira.

Ele se veste e coloca sua toalha molhada dentro de sua mochila cheia. Seus cabelos nem foram penteados, ele apenas passou os dedos e olhou-se no espelho antes de sair. Nenhum tchau foi dito, nossos olhares se cruzaram e ele seguiu seu caminho para sua vida, novamente solitária, e eu fui arrumar minhas coisas para voltar para Nova Iorque, afinal, amanhã já é mais um dia na Julliard.

November, 10th 2013 - Barclays Center - New York

Ainda havia tantos ajustes que estavam me deixando preocupada. Meu vestido para a final estava ali, mas o da festa havia desaparecido. Não aguentava de ansiedade, estava nervosa demais.

-Come uma maça pelo menos. - Amy tenta me empurrar algo para comer faz meia hora, mas o nervosismo não deixa.

-Preciso saber do meu vestido.

-Eu estou tentando achar o Edward, e ligando para aquela babá, pra ver que horas ela irá chegar lá em casa, e não consigo. Então, Hanna, não reclame. - Ela viu o que eu faço sempre que estou nervosa: balançar as pernas. E rapidamente colocou a mão sobre a minha perna. - Do que tanto tem medo? - Pergunta ela.

A fitei, eu não sei se é medo, ou ansiedade, ou nervosismo, ou ambos juntos, mas ela sabe exatamente o porque eu estou assim, e ela me entende melhor que ninguém.

-Carl não estará aqui. - Amy ressuscita o nome que ouvimos com pouca frequência agora.

-Idiota, não me refiro à ele. - Respiro fundo.

-Acabei de entender o porque você ainda não saiu desse camarim. Hanna Miller, você está com medo de encontrar com o Bruno Mars por aqui? - Não, ouvir esse nome sempre é uma tortura.

-Calada. - Faço uma cara feia e acabo rindo.

-Sempre soube que você é apaixonada por ele até hoje. E isso que fazem seis anos da separação. - Ela conta nos dedos e ri. Meu rosto ruboriza.

-Não estou apaixonada por ele.

-Você o ama, mas custa a admitir isso pra si mesma. Será que ele olha o programa e vê você e lembra? Ou será que ele está nervoso que nem você por causa de hoje.

-Eu estou nervosa porque hoje é a final. - Balanço a cabeça e escuto sua risada.

-Você já passou por duas finais, e com essa é a terceira, e já está bem grandinha para ficar nervosa apenas por isso, não? - Como dizem, fui salva pelo gongo. A porta bate e logo alguém entra.

-Trouxe seu vestido, senhora Hanna.

-Obrigada, querida. - Atiro um beijo para ela.

Somos levados para a entrada, olhei para todos os lados para me certificar que ele não estaria por ali. Passei pela entrada principal, e ao lado dos meus colegas de bancada, nós entramos. Abanei para as pessoas, e depois para a câmera. Sento-me no meu lugar e olho rapidamente para o lado, certificando que Amy está ali, e Edward também já estava, e minha linda afilhada vestia um vestido perolado que a deixava mais linda.

Estou fazendo qualquer coisa que possa me distrair mais.

As apresentações começam. Três estão na final. Uma dupla de meninas, uma menina só, e um grupo de rapazes. Há tantas boybands nesse lugar que você acaba sabendo quando encontra um garoto que faça parte de uma. Assisti todas e me distraí, anotando todos os pontos e lembrando em quem votei das outras vezes. Agora, diferente de anos atrás, eu tenho poder de voz entre eles também.

Tento não escolher com o coração, e sim com a razão. Mas tudo isso é apagado quando retornamos do intervalo e a apresentação do Bruno é anunciada. Conheço muitas músicas dele, eu o admiro, e sempre admirei. Não seria minha grande burrada que mudaria isso. E também, eu devo admitir que o que eu sinto por ele não é nada normal.

As luzes foram apagadas e ele entrou, com a sua banda. Estar ali, de frente pra ele, como não fazíamos há muitos anos, me assustou. Me atormentou. Quando a música começou, meu coração palpitou mais forte, minhas mãos suaram tanto, mas tentei parecer o mais normal possível. Era um mashup³ de algumas músicas suas, umas três, e a agitação do povo era visível.

Seu olhar pairou sobre o meu, pelo menos eu acho, fiquei tão estática que não consegui fazer outra coisa ao não ser olha-lo.

A hora da verdade chegou, os três finalistas estavam sobre o palco e nós tínhamos que falar nossos votos, claro, com concesso entre nós. Mas foi quase unânime.

Natalie, a menina dos olhos intrigantes, ganhou. Foi bem merecido, ela canta tão bem, e soa tão angelical. Fomos dispensados para irmos nos arrumar e irmos para a festa. Fui para o camarim e coloquei meu vestido, e enquanto ia mandando algumas mensagens para combinar com a Amy onde eu estaria esperando ela dentro da festa, Rob fazia meu cabelo. Dei mais uma camada de rímel e retoquei o batom. Saí do camarim segurando minha bolsa de mão e cuidando para acabar não caindo. Ouço um barulho vindo de trás de mim, e quando me viro, dou de cara com o Bruno. Isso é um dejavú!

Nos encaramos, faltava palavras para assim talvez quebrar o silêncio. Não queria dizer nada, queria sair dali correndo, mas também queria entrelaçar meus braços em seu pescoço, acariciar sua nuca, e beija-lo, como nos velhos tempos.

-Doce Hanna. - Ele quebra o gelo falando algo, e sorrindo. - Quanto tempo?

-Bruno! - Sorrio também. - Muito tempo. - Estico  minha mão para lhe cumprimentar e ele a pega e deposita um beijo no seu dorso.

-Acompanho você ás vezes...olha onde chegou! - Ele gesticula seus lados e eu rio.

-Eu acompanho você sempre. - Bruno me encara, não era exatamente isso que eu queria dizer, ele vai achar que eu sou obsessiva por ele, ou que tenho um santuário com seu nome. - Sempre que dá. - Sorrio tentando concertar e ele ri. - Sempre soube que você iria vencer na vida. - Coloco uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.

-Você me disse, quando nos conhecemos, que não podemos perder as esperanças, que quando uma porta se fecha, três se abrem. - Minhas bochechas ruborizaram, e eu senti como se tivessem pegando fogo.

-Talvez tenha dito. - Rio e ele também.

-Levo muita coisa que você me disse, comigo.

-Bom saber. - Respiro fundo e olho para o caminho que eu deveria estar seguindo.

-Desculpa estar te segurando, alguém deve estar lhe esperando.

-Não, ninguém além de mim mesma!

-Está sozinha?

-Sim! - Em todos os sentidos.

Been wondering if your heart's still open
(Fico me perguntando se seu coração ainda está aberto)
And if so I wanna know what time it shuts
(E, se estiver, eu quero saber que horas ele fecha)
Simmer down and pucker up
(Se acalme e prepare seus lábios)
I'm sorry to interrupt
(Sinto muito interromper)
It's just I'm constantly on the cusp
(É que apenas estou constantemente à beira)
Of trying into kiss you
(De tentar te beijar)
But I don't know if you feel the same as I do
(Mas eu não sei se você sente o mesmo que eu sinto)
But we could be together if you wanted to
(Mas nós poderíamos estar juntos, se você quisesse)

Ele canta baixinho, presto atenção somente na letra e sorrio, com o rosto mais vermelho do que nunca, ele passa a mão sobre a minha bochecha e ri debochadamente.

-Você está brincando comigo? - Serro meus olhos e ele ri mais uma vez.

-Estou rindo da sua cara, suas bochechas vermelhas. - Ele passa a língua pelos lábios.

-Então você quer me beijar, e nós poderíamos estar juntos se eu quisesse? - Pergunto franzindo a testa, meu receio é pela resposta, mas qualquer coisa eu contorno tudo isso.

-Não cantaria esse trecho nesse momento se não tivesse tudo haver com o agora.

Sua mão segura a lateral do meu rosto e minha pele arrepia-se toda com sua proximidade. Lembrar de todos os nossos momentos e estar prestes a beija-lo me remete aquela parte da minha vida, quando eu estava ao seu lado e não sabia valorizar nada que havia nela. Não vou dizer que me arrependo por estudar e estar onde estou, com dois empregos que não me consomem. Mas queria estar onde estou ao seu lado. Seus lábios levemente tocaram os meus e nosso beijo, finalmente, se aprofundou. Sua mão puxou levemente meu cabelo, e meus braços se entrelaçaram no seu pescoço. Eu esperei tanto por esse beijo.

-Porque você me deixou? - Pergunto quando encostamos nossas testas.

-Você quem quis assim, lembra?

-Mulheres são confusas, nós sabemos o que queremos, mas temos muito medo. Ás vezes dizemos um sim, querendo dizer não, e vice versa.

-E o que você quer agora?

-Você na minha vida novamente! - Respondo sem medo da resposta.

Ele calou com mais um beijo, eu não sei o que isso significa, mas eu não poderia estar me sentindo melhor do que estou! Eu o amo.


¹ - HAM significa "presunto" em inglês. 
² - Bushwick é um bairro pertencente ao Brooklyn, em Nova Iorque. 
³ - Mashup é uma música na qual contém duas ou mais músicas mixadas.

Essa fic também encontra-se no Spirit. Fiquem à vontade e obrigada por acompanharem. Atenciosamente, Adriana Nunes.